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Complexidade e mídia

Vivemos uma sociedade complexa. E isso não é de hoje. Desde Babel há registros. As chamadas tecnologias da informação e comunicação (TIC) só tiveram o efeito demonstração de colocar todo mundo ao vivo ao mesmo tempo agora. É como se fosse uma dessas "salas de controle" da Prefeitura do Rio, na qual se assiste a cidade inteira, o que é, aliás, extremamente angustiante - porque a Polícia não consegue agir em todas as frentes necessárias num dado momento de incidentes coincidentes. Fica-se assistindo uma trombada na Ponte, um arrastão em Madureira e um homicídio na Av. Brasil, melhorando as estatísticas, mas...

Faz-me lembrar uma polêmica em sala de aula, quando disse que a meta da polícia, em Londres, é ter uma câmera para cada 14 habitantes. Um estudante sacou: - deve ser terrível viver em uma cidade assim, sem privacidade... Só pude indagar a uma sala que permaneceu silente: - privacidade? Na rua? É isso! O brasileiro “médio” (de todas as classes; A, B, C, D, E, F, G, H) quer privacidade na rua! Para urinar em paz, para matar no caixa eletrônico, fazer arrastão no posto de gasolina, furar a fila, fazer "pega", pegar o pacote de dinheiro, jogar a guimba de cigarro no canteiro, o sofá no córrego etc. etc. etc.
 
Retornando ao tema que me fez escrever essas linhas: esta semana assisti - atrasadíssimo - ao ótimo filme “Zona Verde”, do diretor Paul Greengrass. Na cena final, o cidadão iraquiano acaba com as boas intenções do "hero" Matt Damon e diz: - vocês não têm o direito de querer resolver os nossos problemas. A invasão do Iraque - primor da ilegitimidade e do descumprimento das decisões da ONU (depois a Líbia, quem sabe a Síria e, finalmente, o Irã) é uma prova recente do vaticínio de Goebbels, de que "uma mentira dita mil vezes...". 

No discurso público do documentarista Michael Moore em Wisconsin, ele lista as maiores mentiras que os governantes (republicanos e democratas) disseram ao povo americano na última década: "America is broke", e "There are mass destruction weapons in Iraque". O tio Sam faz guerra para tocar a sua política interna.

Remember o primeiro “Back to the future”, de 1985, quando nós - ainda "quase crianças" - víamos Doc Brown ser metralhado por terroristas líbios no estacionamento do shopping center.
 
 
Por Manoel Marcondes Neto
Professor da Faculdade de Administração e Finanças da UERJ, bacharel em Relações Públicas (UERJ), especialista em Análise de Sistemas e Métodos (St. Charles CPE/EUA), mestre em Comunicação com ênfase em Sistemas de Informação (UFRJ) e doutor em Ciências da Comunicação (USP). Editor dos websites ‘marketing-e-cultura.com.br’ e ‘rrpp com.br’.
Autor dos livros ‘A transparência é a alma do negócio’ (Conceito Editorial, 2012), ‘Relações Públicas e Marketing: convergências entre comunicação e administração’ (Conceito Editorial, 2008, 2a. edição), ‘Marketing Cultural: das práticas à teoria’ (Ciência Moderna, 2005, 2a. edição) e co-autor (com Lusia Angelete Ferreira) do livro ‘Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo e histórico da gestão de organizações culturais no Brasil’ (Ciência Moderna, 2011).
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O USO DAS CORES EM AMBIENTES DE SAÚDE


Hospital não é lugar de doença e sim de saúde, confiança, bem estar e esperança.

O setor de saúde tem vários motivos para estar mais bonito que qualquer outro e as cores, como estímulos à qualidade do pensamento e do comportamento humano, são um item sutil e de altíssima responsabilidade nesses ambientes.

As propriedades psicodinâmicas das cores são cada vez mais estudadas e aplicadas nos ambientes de forma estratégica. Suas capacidades de mobilizar o ser humano são tão profundas que este mesmo muitas vezes não as percebe.

“Mente sã, corpo são”.

O estudo e a aplicação das cores nos processos de cura datam de 6 mil anos antes de Cristo, na cultura ayurvédica, mas depois da 2ª guerra mundial passaram a ser revisados pela ciência ocidental, já instrumentalizada.

Considerando as influências psicológicas e orgânicas, cada setor deveria oferecer um estímulo específico aos casos que atende.

Desde as cores de uma fachada, à cor da logomarca, passando pelas cores das paredes até os pequenos detalhes num quarto, pode-se acelerar ou retardar o processo psicológico que leva à cura. As vibrações energéticas emitidas por cada cor podem excitar ou acalmar, alegrar ou deprimir, acelerar ou retardar o processo de regeneração celular, por exemplo. Processos de coagulação, cicatrização ou contaminação, por exemplo, também estão vulneráveis às radiações da energia cromática.

Quem entra num hospital ou clínica precisa se sentir amparado, ouvido e renovado, sendo paciente ou acompanhante. Somente a seguir vem a efetiva preocupação com a cura.

Como a “limpeza” é primordial no ambiente de saúde, a manutenção do mobiliário e dos materiais deve ser altamente considerada, pelo ponto de vista da assepsia, mas também da estética.

Existem nos ambientes de saúde, formas diferentes de acomodar os pacientes.

Em consultórios dentários, por exemplo, o paciente fica reclinado e acordado, logo, o ideal é que se ofereça distração (programação visual e cor) na parte superior das paredes, da metade até o teto.

Em setores como ambulatórios, onde o paciente fica deitado e acordado por pouco tempo, também será necessária a distração, porque seu anseio em sair é muito grande. Nesse caso os tetos podem ser animados.

É muito importante observar também que há setores mais masculinos, como os de urologia, ou de exames delicados como proctologia, sendo importante que as cores não ofendam os preconceitos masculinos habituais, para que os pacientes possam relaxar e se sentirem seguros e dignos.


Já os ambientes infantis, por exemplo, não perdem nada por se parecerem com um “playground”! Pelo contrário, quanto mais distraída e à vontade a criança se sentir, melhor pode ser observada e tratada. E os responsáveis agradecem, pois a criança passa a colaborar psicologicamente no tratamento ao invés de rejeitá-lo, como é muito comum.




Para que os ambientes grandes, como enfermarias, não fiquem monótonos, é interessante usar desenhos e cores diferentes em paredes e portas. As portas podem ser um elemento de cores vivas e alegres para compensar as demais cores desse ambiente, que devem ser relaxantes, calmantes ou mesmo com propriedades sedativas.

Como quartos e enfermarias são também locais de rotatividade e de alguma impessoalidade (não se escolhe o paciente), é bom evitar cores muito estigmatizadas, símbolos e desenhos que possam ser associados a crenças e religiões, enfim, qualquer artefato que possa constranger o paciente e fazê-lo querer sair dali. Costumo optar por formas geométricas abstratas ou paisagens.

Corredores longos podem ter sua continuidade, interrompida por desenhos e cores diferentes a cada trecho para quebrar a monotonia e a sensação de “infinito” que, inconsciente, associamos ao afastamento ou à morte.  Nos tetos também será bem vinda uma programação visual em calhas de luz ou sancas, por exemplo, que distraiam o pensamento tenso do paciente transportado em maca.



Desenhos leves em tetos são bem vindos em praticamente todos os ambientes de um hospital ou clínica. Aliás luz, muita luz sempre!

Acima de tudo, em corredores e salões de espera, além da positividade que o ambiente deve passar aos pacientes e acompanhantes, devem estar claras as sensações de ordem, atenção e limpeza, pois vão impor comportamento semelhante ao usuário.



Este segmento também possui seu lado comercial, o que gera uma maior necessidade de ótima apresentação e de personalidade. Dentro de um mesmo segmento cada empresa tem seu estilo, seus objetivos e possibilidades específicas.

Em cada setor teremos um perfil de paciente, logo, em cada um deles o respeito e o carinho exigirão uma programação visual coerente e específica, que envolva as cores do mobiliário, dos materiais, da comunicação e tudo o mais.


Bete Branco.
Designer e Consultora de Cores para a Humanização dos Ambientes
21 2704-9967
21 7525-3194

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