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Planejamento de carreira e marketing

Pensar em marketing nos obriga, necessariamente, a refletir sobre os conceitos de segmentação e posicionamento. Abstendo-me de comentar mais a fundo, nesse momento, esses conceitos, entendamos como segmentação a definição do público-alvo ao qual será oferecido um produto ou serviço. O posicionamento, por sua vez, define a forma como o profissional ou a empresa desejam ser vistos por seus clientes.

Para a área da saúde isso não é diferente. Planejar a carreira significa escolher uma especialidade, atualmente até mesmo uma subespecialidade, e definir como desejaremos ser vistos por nosso cliente, o paciente. Exercitamos, dessa forma, os conceitos apresentados acima. Definimos nosso público-alvo com a escolha da especialidade, focamos muitas vezes com a subespecialidade em uma determinada técnica ou grupo de patologias específicas e pretendemos criar na mente de nossos pacientes uma imagem de competência, sólido conhecimento técnico, eficiência e resolutividade.

A questão é que não é sempre que tudo isso acontece de maneira habitual, sem percalços, tranquilamente. A universidade não nos oferece, na maioria das vezes, subsídio para planejarmos adequadamente nossas carreiras, bem como meios de analisar se as nossas opções estão certas e se nos garantirão um futuro promissor e de sucesso. E há algum mal em se pretender ter sucesso na área da saúde? Certamente que não.
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Nossa formação estritamente técnica não nos instrui para enfrentar problemas como escolher uma especialidade diante das melhores oportunidades de mercado, levando em conta os muitos aspectos que envolvem os ambientes onde estamos inseridos (demográfico, sociocultural, econômico, natural, tecnológico, político e legal).
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Muitas vezes, ao entrarmos na faculdade, o sentimento que nos move rumo às escolhas em nossas carreiras é a paixão. Com o passar dos anos e das experiências pelas muitas disciplinas clínicas e cirúrgicas ainda a paixão fala mais alto. Porém, de súbito, vem o momento crucial: a escolha tem que ser feita! Que especialidade seguir? Existe opção além da prática clínica? Muitas vezes, nossa formação assistencialista nos faz esquecer até mesmo das demais carreiras em pesquisa, por exemplo. Quantos de nossas turmas concluem seus cursos de graduação com a certeza de que seguirão uma carreira em área básica? Muitas vezes, quando assumem seus desejos e desenvolvem coragem para seguirem em frente, são rotulados como altruístas, desapegados ao dinheiro, eternos românticos.
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Em parte, esse pensamento existe e resiste em função da inadequação de nossos currículos escolares às exigências de formação de um profissional nos dias atuais, mesmo os da área da saúde. Não é possível conceber-se que, em um mundo globalizado como o nosso, não tenhamos acesso às mudanças de paradigmas que estão sendo rotineiramente implementadas no Brasil e no exterior. É impensável admitir-se que não saibamos enxergar além dos limites de nossas cidades, permanecendo arraigados às nossas vidas cotidianas achando que nosso mundo profissional se resume aos limites de nossas cidades. Não! Definitivamente não!
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Muito acontece ao nosso redor e precisamos estar atentos, senão a tudo, à boa parte de tudo. Faço lembrar ainda que a medicina avança a passos largos, com a tecnologia trazendo inúmeras outras opções de carreiras que até outrora sequer existiam como especialidades ou oportunidades. E certamente muita novidade está por vir.
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O objetivo do marketing

Em seu recente livro (Marketing Estratégico Para a Área da Saúde; Bookman, 2010), Philip Kotler e Joel Shalowitz iniciam a discussão sobre as particularidades que envolvem o marketing aplicado à saúde com um tópico intitulado “O objetivo do marketing”. Entendo como extremamente oportuno destacar este trecho do livro para início de nossas trocas de ideias neste ambiente de discussão.

“Existem duas opiniões bem diferentes a respeito do propósito do marketing. Uma pode ser chamada de visão de transação e afirma que sua meta é obter um pedido ou fazer uma venda. O papel do marketing é, portanto, usar técnicas de vendas e de publicidade para vender mais “coisas”. O foco está em fazer o possível para estimular uma transação.
A outra opinião a respeito do marketing pode ser chamada de visão de satisfação e construção de relacionamento com o cliente. Aqui, o foco está mais no cliente e menos no produto ou serviço específico. O profissional de marketing visa a servir o cliente de modo que ele fique satisfeito e volte em busca de mais serviços ou produtos. De fato, o profissional de marketing espera que a satisfação seja suficientemente alta para que o cliente recomende o fornecedor a outras pessoas. Por exemplo, sabemos que um médico com uma excelente reputação irá atrair muitos pacientes novos em decorrência da recomendação boca a boca. Além disso, quando os pacientes tiverem novas necessidades e problemas médicos, eles voltarão ao mesmo médico em busca de tratamento e orientação.(...)
(...) De fato, mais organizações estão passando da visão de transação para a visão de relacionamento de marketing, em uma mudança do velho marketing para o novo marketing. Nesse ambiente, a função do novo profissional de marketing é criar um relacionamento de longo prazo, de confiança e de valor com os clientes, o que significa levar toda a organização a pensar sobre os Clientes e a servir a eles e a seus interesses. Por exemplo, os hospitais que construíram uma ampla cultura de marketing, de modo geral, terão um melhor desempenho do que aqueles que pensam simplesmente que estão vendendo consultas, exames e serviços, por sua vez.”

Lembro-me, quando ainda na faculdade de medicina, que insistentemente meus mestres reforçavam a ideia de que precisávamos desenvolver com nosso paciente uma relação estreita de confiança, cumplicidade e respeito. A esse tempo, aprendi que deveria dedicar grande parte de uma consulta a escutar e a examinar atentamente o paciente pois, somente assim, seria capaz de chegar a um diagnóstico conclusivo e próximo da verdade, sendo possível, por conseqüência, proporcionar ao meu “cliente” um tratamento eficaz.
Jamais vi, desde os tempos de faculdade até os dias de hoje, qualquer paciente que não fica grato e satisfeito por ser examinado e escutado atentamente. E, na grande maioria das vezes, essa satisfação se perpetua nas consultas subseqüentes, com cada vez mais o estreitamento da relação médico-paciente. Pergunto: o que é isso senão o mais puro e simples exercício da prática do “novo marketing” que trata Phillip Kotler?
Interessante observar que a medicina ensina esses preceitos a décadas, talvez até mesmo desde os seus primórdios. Isso porque esta ciência é baseada, estruturada e somente sobrevive se existir a relação interpessoal, onde um respeita e confia no outro, criando laços de lealdade duradouros.
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Neste espaço você encontrará um ambiente aberto à discussão de temas importantes sobre a área da saúde. Terá a possibilidade de participar da construção de novas percepções e conclusões acerca dos muitos aspectos que envolvem a idealização, formatação e perpetuação de um negócio neste setor.

Buscaremos trazer à tona questões relevantes para o dia-a-dia de todos aqueles que vivenciam a área da saúde em seus consultórios e clínicas, seja na prática assistencial ou administrativa, pautadas sempre na transparência e na real utilidade e aplicação dos conceitos de economia, administração, tecnologia e marketing.

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