3

O bem e o belo na saúde

Hospital não é lugar de doença e sim, de saúde, confiança, bem estar e esperança.
O setor de saúde tem vários motivos para estar mais bonito que qualquer outro. E as cores, como estímulos à qualidade do pensamento e do comportamento humano, são um item sutil e de altíssima responsabilidade nesses ambientes.

As propriedades psicodinâmicas das cores são cada vez mais estudadas e aplicadas nos ambientes de forma estratégica. Suas capacidades de mobilizar o ser humano são tão profundas que este mesmo, muitas vezes, não as percebe.

“Mente sã, corpo são”.

O estudo e a aplicação das cores nos processos de cura datam de 6 mil anos antes de Cristo, na cultura ayurvédica, mas depois da 2ª guerra mundial passaram a ser revisados pela ciência ocidental, instrumentalizada.

Considerando as influências psicológicas e orgânicas, cada setor deveria oferecer um estímulo específico aos casos que atende.

Desde as cores de uma fachada, à cor da logomarca, passando pelas cores das paredes até os pequenos detalhes em um quarto, podem acelerar ou retardar o processo mental que leva à cura. Podem excitar ou acalmar, alegrar ou deprimir, acelerar ou retardar o processo de regeneração celular, por exemplo. Processos de coagulação, cicatrização ou sepsia, por exemplo, também estão vulneráveis às radiações da energia cromática.

Quem entra num hospital ou clínica precisa se sentir amparado, ouvido e renovado, seja paciente ou acompanhante. Somente a seguir vem a efetiva preocupação com a cura.

Como a limpeza é primordial no ambiente de saúde, a manutenção estética do ambiente, do mobiliário e dos materiais deve ser altamente considerada.

Existem consultórios e acomodações com formas diferentes de acomodar os pacientes.

Em consultórios dentários, por exemplo, o paciente fica reclinado e acordado, logo, o ideal é que se ofereça distração (programação visual e cor) na parte superior das paredes.

Em setores como ambulatórios, onde o paciente fica deitado e acordado por pouco tempo, também será necessária a distração, porque seu anseio em sair é muito grande. Nesse caso os tetos podem ser animados.

É muito importante observar também que há setores mais masculinos, como os de urologia, ou de exames delicados como proctologia, sendo importante que as cores não ofendam os preconceitos masculinos habituais, para que os pacientes possam relaxar e se sentirem seguros e dignos.

Já os ambientes infantis, por exemplo, não perdem nada por se parecerem com um “playground”, pelo contrário. Quanto mais distraída e à vontade a criança, melhor pode ser observada e tratada. E os responsáveis agradecem, pois a criança passa a colaborar no tratamento ao invés de rejeitá-lo, como é muito comum.

Para que os ambientes grandes, como enfermarias, não fiquem monótonos, é interessante usar as portas com desenhos e cores diferentes e até compensatórias. As portas podem ser um elemento de cores vivas e alegres para compensar cores relaxantes, calmantes ou mesmo com propriedades sedativas.

Como quartos e enfermarias são também locais de rotatividade e de alguma impessoalidade (não se escolhe o paciente), é bom evitar cores muito estigmatizadas, símbolos e desenhos que possam ser associados a crenças e religiões, enfim, qualquer artefato que possa constranger o paciente e fazê-lo querer sair dali. Costumo optar por formas geométricas abstratas.

Corredores longos precisam ter sua continuidade interrompida por desenhos, cores diferentes a cada trecho, para quebrar a monotonia e a sensação de “infinito” que inconscientemente associamos ao afastamento ou à morte. Nos tetos também será bem vinda uma programação visual em calhas de luz ou sancas, por exemplo, que distraiam o pensamento tenso do paciente transportado em maca.

Desenhos leves em tetos são bem vindos em praticamente todos os ambientes de um hospital.

Acima de tudo, em corredores e salões de espera, além da alegria que o ambiente deve passar aos pacientes e acompanhantes, devem estar claras as sensações de ordem e limpeza que vão impor comportamento semelhante ao usuário.

Este segmento também possui seu lado comercial, pela disputa natural de mercado, o que gera uma maior necessidade de ótima apresentação e de personalidade.

Em cada setor teremos um perfil de cliente, logo, em cada um deles o respeito e o carinho exigirão uma programação visual coerente e específica, que envolva o mobiliário, os materiais e suas cores. E não podemos nos esquecer da motivação psicológica ao corpo de funcionários do setor de saúde, que carece de uma motivação maior que qualquer outra!

Bete Branco.
Designer e Consultora de Cores para a Humanização dos Ambientes.
www.betebranco.com.br
Leia Mais
3

Entra em vigor o novo código de ética médica.

Assunto badalado nos últimos meses em publicações oficiais dos conselhos regionais e federal de medicina, o novo código de ética médica entrou em vigor recentemente com o intuito de garantir ainda mais a correção das ações na prática médica. Apesar de específico, este assunto interessa não só a todos os demais profissionais da saúde, bem como à sociedade como um todo.


Desde a sua origem, este código objetivou reunir normas de boa conduta que guiassem os médicos em suas ações diárias na prática da medicina. Não é incomum vermos ainda em nossos dias inúmeros casos de abusos da função, maus tratos a pacientes, imperícias e negligências. E não se pode permitir que bons profissionais sejam prejudicados por aqueles que se utilizam da medicina para conquistas ilícitas. Da mesma forma, não se pode permitir que propagandas enganosas, sensacionalistas e com objetivos de ganhos meramente pecuniários, nos tornem comerciantes comuns e aéticos.


Nesse contexto, gostaria de trazer à tona uma discussão que diz respeito ao nosso dia-a-dia. É dado ao médico o direito de promover seu trabalho? O novo código aborda esse tema de maneira bastante clara, considerando em alguns de seus artigos o que é vedado ao médico:

Art. 80 - Praticar concorrência desleal com outro médico.
Art. 101 - Oferecer
seus serviços profissionais como prêmio em concurso de qualquer
natureza.
Art. 104 - Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir
pacientes ou seus retratos em anúncios profissionais ou na divulgação de
assuntos médicos em programas de rádio, televisão ou cinema, e em artigos,
entrevistas ou reportagens em jornais, revistas ou outras publicações
leigas.
Art. 131 - Permitir que sua participação na divulgação de assuntos
médicos, em qualquer veículo de comunicação de massa, deixe de ter caráter
exclusivamente de esclarecimento e educação da coletividade.
Art. 132 -
Divulgar informação sobre o assunto médico de forma sensacionalista,
promocional, ou de conteúdo inverídico.


A análise desse tema nos leva a concluir que o médico não comete erro ao tentar promover seus serviços, seu consultório ou sua clínica, desde que o faça observando os preceitos éticos que regem a nossa profissão: transparência, discrição, informação ao paciente e seus familiares, preocupação com a educação e atenção total à saúde.


O marketing é, portanto, uma ferramenta útil e permitida aos profissionais médicos. Assim como tudo que envolve a área da saúde, ele deve servir com o propósito de comunicar o diferencial daquele que o utiliza, porém sempre de maneira verdadeira e honesta, sem a manipulação daqueles que consomem seus serviços, os pacientes.

Leia Mais
1

Planejamento de carreira e marketing

Pensar em marketing nos obriga, necessariamente, a refletir sobre os conceitos de segmentação e posicionamento. Abstendo-me de comentar mais a fundo, nesse momento, esses conceitos, entendamos como segmentação a definição do público-alvo ao qual será oferecido um produto ou serviço. O posicionamento, por sua vez, define a forma como o profissional ou a empresa desejam ser vistos por seus clientes.

Para a área da saúde isso não é diferente. Planejar a carreira significa escolher uma especialidade, atualmente até mesmo uma subespecialidade, e definir como desejaremos ser vistos por nosso cliente, o paciente. Exercitamos, dessa forma, os conceitos apresentados acima. Definimos nosso público-alvo com a escolha da especialidade, focamos muitas vezes com a subespecialidade em uma determinada técnica ou grupo de patologias específicas e pretendemos criar na mente de nossos pacientes uma imagem de competência, sólido conhecimento técnico, eficiência e resolutividade.

A questão é que não é sempre que tudo isso acontece de maneira habitual, sem percalços, tranquilamente. A universidade não nos oferece, na maioria das vezes, subsídio para planejarmos adequadamente nossas carreiras, bem como meios de analisar se as nossas opções estão certas e se nos garantirão um futuro promissor e de sucesso. E há algum mal em se pretender ter sucesso na área da saúde? Certamente que não.
.
Nossa formação estritamente técnica não nos instrui para enfrentar problemas como escolher uma especialidade diante das melhores oportunidades de mercado, levando em conta os muitos aspectos que envolvem os ambientes onde estamos inseridos (demográfico, sociocultural, econômico, natural, tecnológico, político e legal).
.
Muitas vezes, ao entrarmos na faculdade, o sentimento que nos move rumo às escolhas em nossas carreiras é a paixão. Com o passar dos anos e das experiências pelas muitas disciplinas clínicas e cirúrgicas ainda a paixão fala mais alto. Porém, de súbito, vem o momento crucial: a escolha tem que ser feita! Que especialidade seguir? Existe opção além da prática clínica? Muitas vezes, nossa formação assistencialista nos faz esquecer até mesmo das demais carreiras em pesquisa, por exemplo. Quantos de nossas turmas concluem seus cursos de graduação com a certeza de que seguirão uma carreira em área básica? Muitas vezes, quando assumem seus desejos e desenvolvem coragem para seguirem em frente, são rotulados como altruístas, desapegados ao dinheiro, eternos românticos.
.
Em parte, esse pensamento existe e resiste em função da inadequação de nossos currículos escolares às exigências de formação de um profissional nos dias atuais, mesmo os da área da saúde. Não é possível conceber-se que, em um mundo globalizado como o nosso, não tenhamos acesso às mudanças de paradigmas que estão sendo rotineiramente implementadas no Brasil e no exterior. É impensável admitir-se que não saibamos enxergar além dos limites de nossas cidades, permanecendo arraigados às nossas vidas cotidianas achando que nosso mundo profissional se resume aos limites de nossas cidades. Não! Definitivamente não!
.
Muito acontece ao nosso redor e precisamos estar atentos, senão a tudo, à boa parte de tudo. Faço lembrar ainda que a medicina avança a passos largos, com a tecnologia trazendo inúmeras outras opções de carreiras que até outrora sequer existiam como especialidades ou oportunidades. E certamente muita novidade está por vir.
Leia Mais
1

O objetivo do marketing

Em seu recente livro (Marketing Estratégico Para a Área da Saúde; Bookman, 2010), Philip Kotler e Joel Shalowitz iniciam a discussão sobre as particularidades que envolvem o marketing aplicado à saúde com um tópico intitulado “O objetivo do marketing”. Entendo como extremamente oportuno destacar este trecho do livro para início de nossas trocas de ideias neste ambiente de discussão.

“Existem duas opiniões bem diferentes a respeito do propósito do marketing. Uma pode ser chamada de visão de transação e afirma que sua meta é obter um pedido ou fazer uma venda. O papel do marketing é, portanto, usar técnicas de vendas e de publicidade para vender mais “coisas”. O foco está em fazer o possível para estimular uma transação.
A outra opinião a respeito do marketing pode ser chamada de visão de satisfação e construção de relacionamento com o cliente. Aqui, o foco está mais no cliente e menos no produto ou serviço específico. O profissional de marketing visa a servir o cliente de modo que ele fique satisfeito e volte em busca de mais serviços ou produtos. De fato, o profissional de marketing espera que a satisfação seja suficientemente alta para que o cliente recomende o fornecedor a outras pessoas. Por exemplo, sabemos que um médico com uma excelente reputação irá atrair muitos pacientes novos em decorrência da recomendação boca a boca. Além disso, quando os pacientes tiverem novas necessidades e problemas médicos, eles voltarão ao mesmo médico em busca de tratamento e orientação.(...)
(...) De fato, mais organizações estão passando da visão de transação para a visão de relacionamento de marketing, em uma mudança do velho marketing para o novo marketing. Nesse ambiente, a função do novo profissional de marketing é criar um relacionamento de longo prazo, de confiança e de valor com os clientes, o que significa levar toda a organização a pensar sobre os Clientes e a servir a eles e a seus interesses. Por exemplo, os hospitais que construíram uma ampla cultura de marketing, de modo geral, terão um melhor desempenho do que aqueles que pensam simplesmente que estão vendendo consultas, exames e serviços, por sua vez.”

Lembro-me, quando ainda na faculdade de medicina, que insistentemente meus mestres reforçavam a ideia de que precisávamos desenvolver com nosso paciente uma relação estreita de confiança, cumplicidade e respeito. A esse tempo, aprendi que deveria dedicar grande parte de uma consulta a escutar e a examinar atentamente o paciente pois, somente assim, seria capaz de chegar a um diagnóstico conclusivo e próximo da verdade, sendo possível, por conseqüência, proporcionar ao meu “cliente” um tratamento eficaz.
Jamais vi, desde os tempos de faculdade até os dias de hoje, qualquer paciente que não fica grato e satisfeito por ser examinado e escutado atentamente. E, na grande maioria das vezes, essa satisfação se perpetua nas consultas subseqüentes, com cada vez mais o estreitamento da relação médico-paciente. Pergunto: o que é isso senão o mais puro e simples exercício da prática do “novo marketing” que trata Phillip Kotler?
Interessante observar que a medicina ensina esses preceitos a décadas, talvez até mesmo desde os seus primórdios. Isso porque esta ciência é baseada, estruturada e somente sobrevive se existir a relação interpessoal, onde um respeita e confia no outro, criando laços de lealdade duradouros.
Leia Mais
0

Seja bem-vindo!

Seja bem-vindo ao blog da Clinimkt!

Neste espaço você encontrará um ambiente aberto à discussão de temas importantes sobre a área da saúde. Terá a possibilidade de participar da construção de novas percepções e conclusões acerca dos muitos aspectos que envolvem a idealização, formatação e perpetuação de um negócio neste setor.

Buscaremos trazer à tona questões relevantes para o dia-a-dia de todos aqueles que vivenciam a área da saúde em seus consultórios e clínicas, seja na prática assistencial ou administrativa, pautadas sempre na transparência e na real utilidade e aplicação dos conceitos de economia, administração, tecnologia e marketing.

Participe com a sua opinião, esclareça suas dúvidas, promova questionamentos.

Grandes soluções surgem a partir de grandes questionamentos.
Leia Mais
 

2010 ·Check Up by Clinimkt - Marketing em Saúde - Template: TNB - Este site é melhor visualizado no navegador Mozilla Firefox.